ESCRITÓRIO DE ARQUITETURA THOBIAS®


DECORADOR SOBREVIVE COM CÉREBRO DE MINHOCA
O primeiro transplante de cérebro de minhoca para um decorador foi um sucesso absoluto de crítica e público, com várias semanas no Top-Ten-Big-Golden-Super-Hit-Da-Parada-De-Sucesso-Do-Momento da revista Today Decoration. O informe foi feito pela porta-voz do Complexo de Interiores e Interiores de Miami (CICI), em Miami.

O maior temor dos médicos era uma rejeição, por parte das células do cérebro da minhoca. Porém, o êxito da cirurgia se confirmou quando o paciente começou a fazer planos para a próxima Casa-Cor. Apesar do sucesso e da perspectiva de ganhar uma viagem para Miami (por conta dos bônus arrecadados na respectiva associação), o novo agraciado com um cérebro evita o clima de já-ganhou, preferindo um clima mais intimista, que tem a ver com as tendências do momento, "que vão estar privilegiando um homem mais contemporâneo, que está cultivando o corpo e a mente".

Sobre a sua nova relação com minhocas, o decorador se disse realizado, e que sempre "a-do-rou" minhocas.



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OS LIMITES ATEMPORAIS DA ARQUITETURA

Como diz a minha tia Maria,
"antigamente, tudo era diferente". E era mesmo. Era tudo tão diferente, mas tão diferente, que bem antigamente, lá pelos tempos do Big Bang, não existia nem tempo. A arquitetura era toda inversa.

Tipo assim: numa ocasião, um arquiteto do escritório Thobias® foi convidado a projetar uma casa. O cliente era cheio de reticências, pois tanto fazia se o projeto ia ser desenvolvido no mês que vem, no mês passado, no ano que vem, no ano retrasado ou dali a cem milhões de anos.

Não existia mês, nem ano, nem século. O projeto era fora do tempo, acontecia seis mil anos antes, seis mil anos depois, seis mil anos durante, seis mil anos de través, e nada havia, mesmo havendo tudo junto. Os arquitetos e os estagiários curtiam demais tudo aquilo, pois ninguém precisava atravessar noites desesperadas para entregar os trabalhos, pois não havia noites e nem dias e nem datas. E para deixar o projeto ainda mais excitante não existia Universo e muito menos o espaço, e nem norte e nem sul e nem nada. Ou seja, a tal casa não dispunha de localização, volume ou área: tinha 60 bilhões de metros quadrados e cabia na beirada de um átomo. A construção nem era iniciada, mas já estava concluída, embora o início e o final estivessem situadas para lá (ou para cá) de jamais.

"Antigamente, tudo era diferente", como diz a minha tia Maria. O Escritório Thobias® era imaterial, moldado no nada. Apesar dessa displicência, éramos o maior escritório daqueles tempos tão diferentes, tempos em que nem o tempo existia.



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VIVA O DESCONSTRUTIVISMO BRASILEIRO!!!
Por José Ramos de Azevedo Tinhorão

Os amantes do desconstrutivismo genuinamente brasileiro indignam-se com o desenfreado nível de desnacionalização da nossa arquitetura filosoficamente frívola. Dia desses, folhando o Almanaque Biotônico Fontoura, vi um projeto absurdo, ideado pela arquiteta iraquiana Zaha Hadid.

É revoltante! Trata-se de um projeto que nada tem a ver com as raízes históricas do nosso desconstrutivismo. Segundo a autora, a intenção foi expressar o vazio conceitual do homem contemporâneo. Pois que vá tomar no Foucault! Afinal, temos a nossa própria inocuidade projetual. E o pior é que, mais uma vez, nossos jovens arquitetos copiam servilmente as formas islâmicas, como meros lacaios do imperialismo cultural das Arábias. E isso, repito, nas páginas do Almanaque Biotônico Fontoura, outrora tão ativo nos interesses do desconstrutivismo verde e amarelo.

Temos que tomar medidas drásticas contra a invasão desse tipo de arquitetura persa, que pode induzir nosso povo ao culto de formas tão distantes do nosso desconstrutivismo brejeiro, mulato, praieiro e solar. Por que caixa uma angulosa de cunho globalizado? Em vez de uma alienação como essa, por que não criamos tabas angulosas de cunho nacionalista? Por que não criamos choças? Que brasilidade! Pois esse sim é o desconstrutivismo dessa nossa terra abençoada por Deleuze e Lyotard por natureza, mas que beleza...
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Ah, aqueles bons tempos em que a especulação imobiliária era apenas infame, megalomaníaca, corrupta e autoritária!!!
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RUTH VERDE ZEIN RESSUSCITA & DECHAVA A ARQUITETURA BRUTALISTA

Quando se fala
na brutalidade da arquitetura paulista, o senso comum sabe que o Paulo Mendes arrocha, o Ruy ataca, o Vilanova atira, o Sérgio ferra e o Décio tosa. Como conseqüência, o concreto é armado até os dentes e o esconderijo é, na verdade, a última trincheira do movimento moderno (apud. FUÃO, Fernando).

Mas agora, a urbe arquitetônica pode se esbaldar em overdoses de raciocínios formais. Yeah! Ruth Verde Zein realizou a investigação mais minuciosa a respeito dos arquitetos brutalistas paulistas. Protegida por um fortíssimo esquema de segurança, ela revelou os detalhes de funcionamento do bando. O resultado é uma tese de doutorado recentemente defendida na UFRGS.

A tradição brutalista paulista remonta à Semana de Arte Moderna de Calibre 22', que contava com atiradores de elite como Lee Harvey Oswald de Andrade. Depois, na década de 1950, segundo Ruth Verde Zeintgeist, o sangue, o suor e as lágrimas foram retomados por Pedro Melo Saraivada de Balas (Peter Melo Live in Ilha Grande, álbum triplo, cano duplo, Red Comand Records). Depois de anos de anos de espera, o disco chegou às lojas, liberado por bom comportamento. Foi um escândalo somente comparável à divulgação da banda podre do Sargento Pimenta, no estádio do Morumbiltres. A partir dali, a arquitetura brasileira rendeu-se ao talento e aos 38's carregados de chumbo da arquitetura brutalista.

Mas os arquitetos brutalistas marcaram bobeira e acabaram presos nas tramas conceituais de uma sociedade reacionária. Foi nesse período que Vilanova prestou um longo depoimento à polícia, o que resultou numa seqüência de textos clássicos: "Baixando a sandália na arquitetura eclética", "Dando porrada na arquitetura orgânica", "Estuprando o Modulor", "Arquitetura pós-moderna, ferida a pauladas". Logo após essa sistematização teórica, o grupo brutalista conseguiu fugir do senso comum (ao desenhar a perspectiva do presídio, eles descobriram um ponto de fuga). Já em liberdade, abriram um escritório (com um pé-de-cabra, naturalmente) e roubaram o cadáver da arquitetura moderna. A poética coletiva chegou ao ápice.

A história penitenciária de São Paulo é marcada pela violência irracional empregada para controlar uma rebelião no Pavilhão 9 do Carandiru. Pois os reflexos desse contexto histórico apareceram na arquitetura brutalista, por meio de um grupo de rap intitulado Pavilhão Kneufert, que aplicava doses de modernidade no estômago e no esqueleto dos clientes, na tentativa sistemática de reduzi-los a formas básicas e à verdade estrutural. Para não haver trairagem no interior do bando, os arquitetos brutalistas desenvolveram um detector de mentiras estruturais. A falsidade das estruturas era um crime que eles não admitiam... Para isso, formularam uma expressão projetual inédita: não havia plantas, não havia perspectivas, nem elevações e nem projetos estruturais. Só havia cortes, muitos cortes, cortes longitudinais, cortes transversais, cortes de revestrés, aplicados na cara e no corpo de quem se metesse a besta para o lado deles. Quem mais sofreu com a violência do grupo foram as empenas das construções, que apanharam tanto, mas tanto, que acabaram cegas (se até o Hugo cegava, o que dizer dos outros?).

Em 1968, a arquitetada rebelde de São Paulo tomou as ruas, quebrando tudo e gritando palavras de ordem a favor da arquitetura brutalista. Isso levou o governo do estado a convocar a Tropa de Choques Estéticos, ao mesmo tempo em que propunha à comunidade internacional a entrega de um Prêmio Pritziker com gás paralisante aos brutalistas ("pelo conjunto da obra", como esclarecia um investigador de novas possibilidades estéticas que não quis se identificar). Para ajudar na divulgação de novas concepções espaciais e estruturais, os teóricos de arquitetura da Polícia Militar divulgaram retratos falados dos arquitetos brutalistas. O objetivo era enviá-los todos para uma caixa-forte-estrutural-habitacional. Yeah!



Em sua tese de doutorado, Ruth Verde Zein (foto) destaca que uma das grandes propostas dos brutalistas era tratar a arquitetura como processo. O resultado foram dezenas de processos, com milhares de páginas cada um, correndo nos Juizados de Crimes Estéticos. Ao fim, as penas de caneta tubular chegaram a 830 anos. Yeah! Yeah!! Yeah!!!

Ao final, a pesquisadora resgata o velho adágio de para-choque de caminhão de arquiteto modernista: "Antes Bardi do que nunca!" Mas, apesar dessa mensagem de otimismo, não podemos deixar de notar que a arquitetura paulista ainda não conseguiu responder à dúvida presente em todas os debates e pancadarias desde o tempo de Tati Quebra-Barroco-Mineiro: se o Lourival come machado deve o Nestor regular?



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All Édi Porrêi is Édi Porrêi!!!









hei de vencer, mesmo sendo arquiteto...

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