ESCRITÓRIO DE ARQUITETURA THOBIAS® _______________
Todo arquiteto tem uma vaidade doentia. Inclusive aqueles que desenvolvem trabalhos sociais e canteiros com favelados, índios, sem-terra. Mas a vaidade deles é contrária e muito mais sutil: é a vaidade de mostrar que não são vaidosos. A disposição à modéstia é atirada nas nossas caras, como se dissessem: "vejam como eu sou modesto, vejam como as minhas obras são modestas!!!"
No âmago de cada arquiteto modesto, há a vontade de subir num pedestal, estufar os peitos e berrar: "Eu sou o arquiteto mais modesto do mundo!!! Jamais houve alguém tão modesto como eu". E se eles forem convocados para uma palestra qualquer, aí a vaidade atinge os píncaros: "a nossa linha de arquitetura é outra...", costumam repetir, revelando a arrogância do modesto, vaidosos da originalidade atingida por meios inversos, cheio de pretensões de serem reconhecidos como os Michelangelos da modéstia...
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Há ocasiões em que me sinto cheio de pilotis, terraços-jardins e janelas contínuas, como se eu fosse a própria Villa Savoye.
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ARQUITETURA HOJE
Um arquiteto minimalista é inteligente demais, consciente demais, técnico demais, comprometido demais com A História da Arquitetura. O decorador que aparece em colunas sociais, não. Ele projeta um ambiente com a mesma desfaçatez com que um búfalo desembesta pelas planuras da Ilha do Marajó. Emplastra as paredes com gesso, espalha sancas em todas as direções, reveste tudo com tapetes, multiplica os lustres e, se duvidarem, é capaz de tacar fogo num antigo sofá e come-lo tostado. É um imbecil, tanto quanto a maioria da humanidade é imbecil. Por isso, esse decorador chega mais depressa ao coração da maioria.
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ESCRITÓRIO DE ARQUITETURA THOBIAS®
UM PÂNTANO DE CRIATIVIDADE
Para entender a produção do Escritório de Arquitetura Thobias® é necessário, antes, entender o ambiente de trabalho povoado de arquitetos reclusos, secretárias quase transparentes e estagiários imperceptíveis. Quem entra em nosso atelier tem a nítida impressão de submergir na noite profunda de um aquário silencioso. Cada cômodo é um enigma, dentro de segredos, cercados de mistérios. A atmosfera é tão pegadiça e tão densa e tão encorpada que é quase uma gelatina. Há arquitetos azuis, com escamas cintilantes, borbulhando em águas jamais sonhadas, dedicados a projetar abismos imorredouros pelos séculos.
Quando reverberações mais abruptas perturbam nosso breu infindo, é porque um designer de movimentos lerdos e pacientes saiu de alguma caverna lateral para anunciar objetos incompreensíveis que ele mesmo ideou sem saber o motivo. As carcaças defuntas dos antigos colaboradores são despedaçadas por dentes afiados que atravessam e rasgam a escuridão. Os clientes jazem ocultos, camuflados, à espera do momento para escaparem através da massa viscosa que nos abriga. Nossas maquetarias são conchas lacradas sobre a própria perfeição, no interior das quais os maquetistas elaboram suas miniaturas com vagar e requinte, indiferentes aos movimentos e aos prazos do mundo exterior. A secretária aparece em datas imprecisas, desliza seu corpo mole e gosmento pelos desvãos do escritório e, antes que possamos encontrá-la, volta a submergir nas crateras insondáveis de sal, limo e escuridão. Os estagiários sem olhos passam sobre as nossas cabeças, emanando luz própria.
Ao longo das gerações, nossa paz tem sido afetada por viajantes que citam a existência de outros arquitetos em funduras como estas. Da minha parte, julgo que não devemos acreditar nesses viajantes: são seres etéreos e insubstanciais. Nossa arquitetura é única, eterna, porém inesperada e, talvez, imprestável.
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